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O papo de que a gente aprende enquanto dorme

Até terminar o Ensino Médio eu valorizava muito o meu sono. Eu não sabia muito bem dos seus benefícios, mas percebia que quando não dormia, não conseguia ter o mesmo desempenho na escola. Como eu era bem chata com os meus estudos, fazia questão de dormir bem. Mas quando entrei na faculdade, eu não tinha muito tempo para estudar. Eu estudava longe de casa, perdia muito tempo no trânsito e a quantidade de coisas que eu tinha que estudar era insana. Então, dormia pouco. Um dia resolvi passar a noite estudando pois tinha a prova final de uma disciplina no dia seguinte. Eu me lembro bem desse evento porque foi a única vez que fiz isso e a única vez que não passei na prova. Não estou dizendo que o fato de eu não ter dormido foi o único motivo para o meu péssimo desempenho, mas com certeza sua contribuição foi significativa. Isso porque dormir é essencial para aprender, para formar as nossas memórias!  Antes de explicar o porquê dessa importância eu tenho que te explicar o que aconte...

O papo da fila no banheiro

Lá no trabalho ou na escola, o banheiro é cheio logo de manhã? Aí na sua casa o pessoal faz fila para ir ao banheiro pela manhã? Eu não estou falando daquela sua colega de trabalho que fica um tempão se maquiando ou daquele seu irmão que acha que só ele precisa tomar banho antes de sair de casa, estou falando que muita gente tem vontade de fazer cocô pela manhã. É, pensa bem se aquele cheiro “agradável” no banheiro da empresa não é mais frequente logo de manhã. Muita gente sente vontade de evacuar (fazer cocô) de manhã por causa de alguns reflexos. Você sabe o que é reflexo? Aquele famoso martelinho que o médico ou fisioterapeuta usa para dar uma batidinha no joelho e o paciente dá um chute, esse chute é uma resposta reflexa. Na verdade, temos reflexos pelo corpo todo. Do ponto de vista da fisiologia, reflexos são respostas bem simples porque sempre temos aquele mesmo padrão de resposta àquele mesmo estímulo. No caso do martelinho, o estímulo é a distensão do tendão do músculo...

O papo do beijinho pra sarar

Acho que pelo menos uma vez por semana eu digo: “Machucou, filha? Vem aqui que eu vou dar um beijinho para sarar”. Eu já disse isso tantas vezes, que a minha filha brinca que um de seus bonecos bateu a cabeça e me pede para beijá-lo. Eu tenho certeza que você também já disse algo do tipo, e se não disse, é provável que ainda vá dizer. E aí, o beijo sara? Eu diria que sim, se não sara, ao menos diminui a dor.  Quando você bate o dedo na cama, ou encosta a mão na panela muito quente, por exemplo, são ativados neurônios de dor que vão da sua pele até o sistema nervoso central. Lá esses neurônios liberam um neurotransmissor (aquela substância química que expliquei no “Papo dos papos dos neurônios”. É liberando essas substâncias que os neurônios conversam) que pode ativar um segundo neurônio, assim os neurônios seguintes continuam liberando neurotransmissores e você sente dor. Lembra que existem neurotransmissores que ativam e outros que inibem o neurônio seguinte? Pois é, e semp...

O papo dos papos dos neurônios

Para iniciar os papos do ano, eu estava escrevendo um post sobre dor e travei. Eu não consegui explicar um ponto sobre comunicação entre neurônios de uma maneira satisfatória. Eu escrevi algo como, a conversa entre os neurônios, que é o que costumo dizer quando eu quero falar dessa comunicação de maneira simples. Mas essa conversa entre os neurônios é tão interessante que eu resolvi parar de escrever sobre dor e escrever o primeiro post do ano sobre esse papo.  Quando a gente escuta certos comentários sobre o funcionamento do nosso cérebro, às vezes fica parecendo que ele é uma caixa preta. Na verdade, o cérebro é formado por muitas células, assim como a pele, ou o fígado, por exemplo. Um dos tipos de células que compõe o cérebro são os neurônios, e a comunicação entre eles permite que os nossos comportamentos sejam executados. A maneira mais comum dos neurônios se comunicarem é liberando uma substância química chamada de neurotransmissor. Existem vários tipos de neurotransmis...

O papo do cérebro esquerdo e direito

Você já ouviu esse papo de que o cérebro esquerdo é mais racional, o direito mais emocional e tal, né? Você já ouviu também aquele papo sobre treinar o cérebro esquerdo ou o direito? É verdade mesmo que existe uma especialização hemisférica. Oi? É, o nosso cérebro é dividido em duas metades, cada uma delas é chamada de hemisfério cerebral. Então, temos o hemisfério esquerdo e o direito. A gente consegue ver que existe uma especialização de cada hemisfério ao observar o que acontece após uma lesão. Por exemplo, um paciente que teve um derrame (o nome técnico é Acidente Vascular Encefálico ou AVE) em uma região específica no hemisfério esquerdo provavelmente terá dificuldades para falar, ele compreende, mas não consegue se expressar. Mas se a lesão for em uma região específica do hemisfério direito, é mais provável que o paciente tenha dificuldade em compreender o que está sendo dito. Essa especialização hemisférica também é observada em pessoas saudáveis, mas é necessário faz...

O papo de que sentimos mais fome quando está frio

Eu sei que estamos na primavera, está calor (ou deveria estar), mas esses dias me lembrei daquele papo de que sentimos mais fome quando está frio. A explicação mais frequente que se escuta para isso é a de que no frio precisamos manter o nosso corpo aquecido, como para isso é necessário gastar mais energia, nós sentimos mais fome. Você já ouviu isso, né? Então vamos lá, para começar, o que será que faz você sentir fome? A explicação mais consolidada e a primeira a ser descrita nos livros de fisiologia é a de que existe um centro da fome e outro centro da saciedade em uma estrutura do nosso cérebro, chamada de hipotálamo. Quando o primeiro centro é estimulado nós sentimos fome, quando o segundo centro é estimulado nos sentimos satisfeitos. O problema é que muita coisa pode estimular esse centro da fome. Uma das teorias é que ele é estimulado quando o nível de glicose do sangue cai, outra diz que é estimulado quando os estoques de gordura diminuem. Certo, guarde essas informações ...

O papo da memória

Quando decidi escrever sobre memória me lembrei que uma vez precisei escrever um longo texto sobre isso em um concurso. Foram momentos estressantes, me preocupava se conseguiria terminar a tempo e se conseguiria escrever tudo o que a banca julgava necessário. Mas eu estava grávida e de vez em quando sentia uns chutes na minha barriga, e para mim, naquele momento, era como se a minha filha dissesse: “Vai, mamãe!”.  Acredito que tanto pelo estresse como pelos chutes, aquele momento da prova se tornou importante o suficiente para que uma memória de longo prazo fosse formada. Longo prazo, porque isso aconteceu há alguns anos. Mas quando essas memórias são formadas elas não ficam armazenadas em uma estrutura específica do cérebro. Quando a gente ouve falar de casos em que alguém sofreu um acidente fica parecendo que tem uma área especial no cérebro que guarda as memórias de longo prazo. Mas na verdade, o que se considera hoje é que as memórias estão distribuídas por várias regiões ...